A jornalista Fernanda de Francisco, do Teatro Insite, entrevistou Marcelo Andriotti. A entrevista foi publicada no blog. Confira a entrevista abaixo:

Mudar o mundo é o sonho de todos, mas pouco gente coloca a mão na massa realmente e uma delas é o ator e professor Marcelo Andriotti. Com a consciência que pequenas atitudes fazem diferença, o entrevistado desta semana criou o projeto sócio-cultural Favela Mundo, que começou modesto e tomou uma proporção inesperada até para seu mentor.
O Favela Mundo, que tem início neste mês de agosto, tem patrocínio da LAMSA S/A, do Instuto INVEPAR e da Prefeitura do Rio de Janeiro. Nele serão oferecidas oficinas gratuitas de Teatro, Música e Dança para mais de 500 crianças e jovens, entre seis e 18 anos, em dois pontos diferentes da cidade: Na ONG Renascer Brasil – Zona Norte e ONG Cape Leblon – Zona Sul.

Além destas atividades também haverá aulas de reforço escolar e as famílias dos alunos participarão de palestras mensais de saúde, cidadania, direitos e deveres. Ao todo deve atingir um público de mais de duas mil pessoas por mês. Leia abaixo a entrevista completa e conheça o projeto no site www.favelamundo.com 

Teatro Insite – Como surgiu o projeto Favela Mundo?
Marcelo Andriotti – O Projeto surgiu há exatos três anos (no final de 2007). Queria trabalhar em alguma comunidade, com crianças e adolescentes e não sabia como chegar e propor algum trabalho e não conhecia ninguém ligado a liderança comunitária. Sempre tive uma forte ligação com o teatro de rua e com o desejo de desenvolver um trabalho que envolvesse não apenas a cultura, mas que permitisse o crescimento do indivíduo de uma forma completa, com cultura, saúde, educação e consciência política. Porque acredito que não existe cidadania se algum desses itens falta na vida de alguém.

Do desejo de trabalhar com isso, de tentar minimamente fazer minha parte, comecei a escrever um projeto para dar aulas de teatro. E com um projetinho de uma folha comecei a bater na porta de diversas ongs, sem sucesso. Mas dessas conversas começaram a vir ideias de ampliar o projeto, e incluí dança e música. E como eu queria também que os participantes estivessem na escola pensei… “se é necessário estar na escola preciso oferecer uma ajuda” e daí surgiram as aulas de reforço escolar.

Comecei a encontrar parceiros pelas “entrevistas a ongs” e reunir um grupo de profissionais de qualidade na área de teatro, música e dança que pensavam como eu. Não apenas artisticamente, mas também filosófica e politicamente o papel da cultura na formação de uma cidadania plena.

Hoje o projeto conta com professores de altíssima qualidade nas áreas das artes, mas também com importantes parceiros nas áreas de saúde, educação, direito e cidadania.

Atualmente o projeto tem o patrocínio da LAMSA, do Instituto Invepar e da Prefeitura do Rio, além de grandes apoiadores em diversas áreas, o que nos possibilita fazer um trabalho lindo, de excelência na área da responsabilidade social.

TIn -Além da parte cultural a iniciativa incluirá palestras com médicos, educadores e advogados. Qual o objetivo deste serviço?

MA – Como mencionei antes, não acredito que exista o desenvolvimento de uma cidadania PLENA se algum desses itens falta na vida de alguém. Como é que você pode desenvolver um jovem artisticamente se ele não tem consciência do local onde vive? Se não estuda? Se não conhece suas raízes, sua origem? Ou então como é que podemos querer uma transformação social se o mínimo de condições de saúde são do conhecimento do indivíduo?
Outro fator importante de mencionar é que a maioria das aulas serão destinadas ao público de 6 a 18 anos, regularmente matriculados em instituições de ensino. As palestras e demais atividades são para toda a família, conseguimos assim atingir um público de mais de duas mil pessoas por mês, gerando uma mudança na forma de ver o mundo e de se posicionar perante a realidade em diversas comunidades. Porque o conhecimento e a cidadania precisam ser exercitados, desenvolvidos diariamente, não apenas em aula, mas em casa, na escola, no ato de pegar o ônibus, o metro, na fila no supermercado, …

A cada mês o projeto irá desenvolver atividades/palestras em diferentes comunidades da cidade. Atingindo pessoas da cidade inteira. Para inscrever a comunidade basta entrar em contato conosco que faremos o possível para levar um de nossos profissionais até vocês.

TIn – Na sua opinião o que esse projeto fornecerá aos participantes?

MA – Nossos principais objetivos são a diminuição da evasão escolar e do índice de criminalidade que existe em toda a cidade. Mas sabemos que através do contato com membros de diversas comunidades automaticamente a rivalidade irá diminuir, uma vez que estarão todos envolvidos no mesmo projeto, com os mesmos objetivos.
Podemos mencionar também o desenvolvimento de aptidões artísticas e da saúde como direito inerente a todo cidadão. O conhecimento dos princípios da cidadania, as maneiras de evitar as doenças sexualmente transmissíveis, … enfim estamos abrindo um leque de ações que possibilitam a todos os participantes ter uma visão de mundo mais ampla, mais igualitária, com diferentes objetivos e com possibilidade de uma melhora na qualidade de vida.

TIn – Quais oficinas o Favela Mundo oferecerá e em qual periodicidade?

MA – O projeto tem o patrocínio da Lamsa, Instituto Invepar e Prefeitura do Rio por pelo menos um ano. Tentaremos prorrogar esta importante parceria por mais tempo e, pela procura que já estamos tendo. o projeto tende a crescer a cada ano.
Neste ano ofereceremos oficinas permanentes de Teatro, Música e Dança. As aulas iniciam em agosto e duram até junho de 2011. Se o patrocínio permanecer as oficinas continuam também.
Estas aulas são para crianças e jovens de 6 a 18 anos.
Ofereceremos também cursos de maquiagem artística para maiores de 15 anos. São cursos regulares de oito aulas. A cada dois meses abrimos mais 40 vagas. É o único curso com caráter de geração de renda, que possibilitará ao participante atuar no carnaval, em festas, aniversários, …
Ao todo são oferecidas 556 vagas nas oficinas. Lembrando que todos os cursos são totalmente gratuitos.As aulas ocorrerão em dois pólos:Zona Norte- ONG Renascer Brasil, em Higienópolis, Av. Novo Rio 10-Comunidade Agrícola de Higienópolis.
Zona Sul- ONG Cape Leblon, no Leblon, Av. Borges de Medeiros 699 Bl 1 Térreo.

TIn – Que tipo de ajuda as empresas e pessoas pode dar e como colaborar?
MA – Há diversas formas de ajudar o Favela Mundo. Estamos transformando o projeto em OSCIP e será possível ajudar com verba e descontar o valor doado do Imposto de Renda.
Estamos também desenvolvendo canecas, cumbucas de sobremesa com a logomarca do projeto e estamos produzindo o mascote do Favela Mundo em pelúcia, todos estes itens poderão ser comprados e a verba arrecadada será revertida para o desenvolvimento de nossas atividades.
As pessoas também podem trabalhar como voluntárias, oferecendo palestras nas suas áreas, aulas de reforço escolar, … enfim há muitas maneiras de ajudar. Basta acreditar numa cidade melhor e ter vontade de tornar esse desejo possível.